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sexta-feira, 18 de abril de 2025

Senhorita Cavalo-de-Pau

 ASSIS, Lucas. Delírios Nervosos: o Rio de Janeiro de Orestes Barbosa. Fortaleza, CE: Plebeu Gabinete de Leitora, 2025. 398p.

Uma Alice Cavalo-de-Pau surge no ensaio do professor Lucas Assis sobre o Rio da Belle Époque. 

Penso... Como será que os pretendentes ao Amor Eterno de Miss Cavalo-de-Pau a ela se dirigiam?? Pois supõe-se que fosse solteira, livre e desimpedida para os prélios do Amor, como podemos deduzir dos lugares que costumava frequentar, a Lapa e seus botecos boêmios e liberais. E hoje sempre se imagina que os antigos tinham um linguajar elevado. Será que um jovem, ao vê-la em uma dança, dizia: 

- Ó feérica e obcecante senhorita Cavalo-de-Pau, não me julgueis papalvo ou esdrúxulo de, em meio a tantos aldrabões e bolicheiros aqui presentes, dirigir-vos essas candentes e arrebatadas palavras em louvor a vossa aparatosa e tonitruante beleza, que excede em viço e primazia a todas às demais filhas de Eva. A vós me dirijo, com o galarim do estilo e puro néctar das frases, não para igualar-me a biltres que se esmeram em seduções desenfreadas em contubérnios malévolos, mas para oferecer-vos o plecto puro de minhas fidedignas intenções!

O autor não diz qual seria a resposta da srta. Cavalo-de-Pau a semelhante cantada. Apenas que, entre seus admiradores, contava-se um cavalheiro que assinava em certo jornal chamado O Rio Nu as colunas Carteira de um Peru e Na Zona, tudo sob o pseudônimo Língua de Prata, ao qual decididamente não falta originalidade.


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