BALZAC, Honoré de. ¨La Femme de trente ans¨. In: La Comédie Humaine. Paris: Editions Louis Conard, 1949. 538p. p1-217.
Encontre esse volume em uma dessas deliciosas mesas de livros baratos em um sebo (bouquiniste) no Boulevard Saint-Michel. Carinho: quinze euros, e a maior parte custa só um. Acomodei-me em mesa no Café Saint Paul ao lado para repassar os livros comprados a dividir a mesa com um crepe e um cappuccino e a olhar os passantes. Senti-me na Paris do velho Honoré, embora esta não seja a Paris dele, demolida que foi uns vinte anos depois e substituída pela atual.
Na igualmente charmosa Praia do Meireles desta brava Fortaleza meti-me a ler e tive a impressão que nosso amigo Balzac estava muito lombrado do absinto quando escreveu A Mulher dos Trinta Anos, se bem que a sua droga fosse o café. Começa com uma jovem cheia de vida casando com um homem medíocre e ficando presa em casamento tolo. Início bem balzaquiano. Surge um belo médico inglês – tudo bem, continua na linha.
De uma hora para outra acho que o excesso de cafeína na balzaquiana cabeça fez efeito: entra um amente, a trágica morte de uma criança por afogamento, e esses acontecimentos gravíssimos se sucedem quase que sem consequência nenhuma. Cheguei a pensar se não era uma coletânea de contos, dada a desconexão entre um capítulo e outro. Mas piora quando entram piratas na história. Por favor, Barbanegra e papagaio no ombro, não dá – pensei.
E fica a eterna questão: pode-se desgostar de um clássico? Que Balzac torne e resolva esse dilema para nós. Mas sem meter piratas na história, por favor.
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