WILDE, Oscar. ¨An Ideal Husband¨. In: The Importance of being Earnest and other plays. Oxford: Oxford University Press, 2008. 368p. p159-245.
Pela primeira vez fui à mesma peça na mesma montagem por três vezes seguidas. Quem conseguiu essa proeza foi o talento de Edwin Luisi e Herson Capri. A dupla de atores brasileiros encenou “Um Marido Ideal” em 2006 num Teatro do Leblon. Nunca entendi por que essa montagem não se manteve pelos anos afora. Depois vi alguns filmes da mesma peça com atores de língua inglesa e devo dizer que os dois brasileiros são muito mais engraçados. Mas eles poucas gargalhadas conseguiriam arrancar, se não fosse o talento de Oscar Wilde.
Lady Chiltern adora o seu marido, o vice-ministro Robert. Ela admira como ele veio de baixo e fez fortuna, gosta de tudo o que ele é. O que ela não sabe é que seu Marido Ideal fez uma falcatrua para ganhar sua fortuna. Uma certa Madame Cheveley tem prova disso e agora chantageia Robert. Mias do que perder sua perder sua carreira política, Robert teme perder a admiração da esposa.
Poderia ser um drama até dos não muito bons se não fosse um personagem coadjuvante – esta é rara peça em que um personagem secundário sustenta tudo. Arhur, o Visconde Goring, nasceu rico e se ocupa o dia inteiro em não fazer nada. Segundo ele, ele nunca perde seu tempo a ficar a papear com as pessoas – elas é que perdem o delas.
Arthur consegue nos fazer simpatizar com um aristocrata ocioso. Leve, livre – isso é que todos gostariam de ser. E se mete a ajudar o amigo, o que mostra que tem algum caráter, afinal. Algum – se tivesse muito, faria algo de útil. Mas ele faz rir. Isso basta.