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quarta-feira, 16 de abril de 2025

O célebre escritor desconhecido

 ASSIS, Lucas. Delírios Nervosos: o Rio de Janeiro de Orestes Barbosa. Fortaleza, CE: Plebeu Gabinete de Leitora, 2025. 398p.

Nunca tinha ouvido falar de Benjamin Costallat até chegar à página 75 do ensaio do professor Lucas Assis Delírios Nervosos que nem é sobre ele, mas sobre o Rio da Belle Époque, a pequena Paris de então, centrada na figura de Orestes Barbosa, outro da época. 

Benjamin Costallat era um garoto precoce, vá. Com menos de trinta anos estudara em Paris e conhecia as manhas da imprensa, jornalista precocemente veterano que era. Sabia aparecer, sabia promover e utilizou tudo isso em seu romance Mademoiselle Cinema,  de 1923. 

Com fama de ser um livro Sexo, drogas e rock´n´roll antes-do-tempo , nem o é tanto – ou é, mas para os padrões da época. A protagonista Rosalina beija, flerta e tem cenas mais adultas com vários parceiros – que são pudicamente substituídas por pontos. O nome Cinema se refere ao modismo do tempo, o Cinema. Nada muito pesado – mas o suficiente para a católica Liga da Moralidade invadir livrarias e tomar o livro na marra.

Apesar do escândalo e talvez por causa dele Mademoiselle Cinema vendeu 60 mil exemplares em cinco edições, em um Brasil virtualmente analfabeto que não chegava a 30 milhões de habitantes. Compare-se com os 800 da primeira edição de Macunaíma. 

Tanto sucesso e escândalo para findar em umas teses esparsas, alguns curtas no Youtube e uns pdfs que ninguém consegue abrir. Sic transit Gloria mundi – assim passa a glória do mundo, diziam os antigos. Mas os antigos, assim como os best-sellers de antigamente, ninguém se lembra deles.


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