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domingo, 20 de abril de 2025

AS DES/GRAÇAS DA VIDA BURGUESA

FEYDEAU, Georges. ¨On Purge Bébé¨. In: La Dame de chez Maxim, On purge Bébé, Mais n´te promène donc toute nue !. Paris: Maxi-poche, 1995. 476p. p313-405. 

A Mulher recebe o amante em casa e nesse preciso momento aparece um jovem colega ator que vem discutir uma peça. Depois de algum constrangimento a mulher diz Não vamos transformar isso numa comédia de Feydeau! e pede para o amante sair do esconderijo: o amante é um padre, o mesmo que havia encomendado a ambos a encenação da Paixão de Cristo, com o jovem como Jesus e a Mulher como Madalena. Esse foi o filme canadense Jesus de Montreal, meu primeiro contato com Georges Feydeau.

A percorrer os bouquinistes (sebos) da Rive Gauche, a zona boêmia de Paris que tive meu segundo contato, esse proposital. Da pequena cena acima já sabia que havia um autor francês antigo que escrevia peças de assuntos considerados não muitos severos, como infidelidade, acasos e talvez piadas. E a percorrer as mesas de livros usados (em geral de um euro) encontrei um volume com três das peças desse autor que teve seu auge em princípios do século XX.

On Purge Bébé é uma peça curtinha sobre é um assunto bobo: os problemas estomacais de um garoto de família de classe média alta servem de pavio que detonam situações nonsense sobre problemas sérios. O pai tem um fábrica de penicos e quer vendê-los para o exército francês, e para isso convida um dos responsáveis pela licitação para jantar, só que o funcionário é um marido traído, o casal sabe disso e já falou do assunto em frente ao garoto chato. Dá para imaginar o resultado da baixaria, aliás das duas: da infidelidade e da corrupção. 

Que humanidade parecida.


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